segunda-feira, 17 de março de 2014

Resenha: A Ilha dos Dissidentes

Sinopse: Ser levada para uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.
Quando comprei esse livro já estava esperando uma decepção, mas precisava conhecer a distopia da Bárbara. Na verdade essa foi minha primeira leitura distópia e com o bônus de ser brasileira. Mesmo não lendo muitas distopias eu tenho um carinho imenso pelo gênero e lamento muito sua atual banalização.
Quando Sybil começa a comentar sobre o acidente, nos perdemos por causa do navio em que ela estava, o Titanic III. Não quero ser chato, mas apesar desse nome trazer um certo humor em consideração a história que já conhecemos, sinceramente acho que ela poderia ter dado outro nome ao navio e, já havia um opção para isso, ao invés de dar esse nome que torna a tragédia mais cômica do que séria. Isso é uma coisa pessoal que tive que comentar.
Enquanto Sybil vai falando, eu percebo outra coisa que me deixa um pouco... intrigado. Enquanto ela fala algumas coisas em diminutivo, em forma simples, em outros momentos ela fala certas palavras que são um tanto quanto complicadas, desconhecidas e/ou regionais. O texto não precisa ser pobre, mas não precisa ser escrito como se a garota, verificasse as palavras no dicionário de sinônimos antes de falar.
Depois que ela descobre que é uma anômala, o que é uma descoberta até que bem tranquila, é encaminhada para sua nova vida e ai que chega a parte não tão legal. Primeiro que quando Sybil chega a sua nova cidade, ela reclama do nome. Durante todo o livro somos apresentados a nomes que não são tão legais, ou que, não são legais mesmo, só que a protagonista gosta de fazer criticas a essas escolhas. Os nomes já não são muito legais e autora faz questão de praticamente parar a história para ficar falando disso. Outra coisas que me frustra um pouco na Sybil é como ela parece renegar a vida que ela tinha Kali, raramente fala de amigos, só manda carta para uma pessoa e nunca a vi falando como desejaria sua atual situação para o povo de lá. Além disso, ela tem muitos pensamentos suicidas, por pedir a morte em momentos críticos, como se a vida dela não importasse.
Se a protagonista não me agrada, todos os outros são muito interessantes, Tomás, Andrei, Leon, Ava etc. São personagens bem definidos, seguros e com personalidade. Dentre todos, o meu favorito é Leon, por ser bem inteligente, tem uma porção de segredos e é bem forte.
Como é uma distopia, eu não podia de deixar de falar da sociedade do livro, que é apesar de ser avançada em certos termos, tem uma sentimento preconceituoso até que bem vivo. A guerra entre União e Império do Sol é pouco explorada e nem sempre parece desestabilizar toda a sociedade, mas é difícil dizer, porque vemos muito mais de Pandora.
A partir da segunda parte do livro, a história dá uma guinada boa e tudo fica mais rápido e elétrico, o que foi muito bom para compensar a primeira parte. Além disso, começamos a sair do mundinho perfeito de Sybil e vemos o outro lado da moeda. O final do livro me traz um pouco de obviedade e espero de todo o coração que o que eu estou pensando e o que deu a entender, não aconteça, porque seria uma grande decepção. Aliás isso é uma característica, muito comum do livro. As coisa tem uma certa obviedade e os personagens não são muito inteligentes para uma dedução rápida, o que me frustra bastante. Em certos momentos Leon, o personagem dito como inteligente e genial, não é realmente tudo o que se diz. É que as vezes os personagens são tão burrinhos, que um pouquinho de raciocínio de Leon já é o bastante para torna-lo um L.
É uma historia que agradou muita gente, mas ainda não me convenceu totalmente. Bárbara tem que resolver o problema de descrição dos personagens, que ás vezes costuma se feita aos poucos, e em partes bem avançadas do livro. Então não se assuste quando Sybil falar que uma pessoa se parece com ela, sem você fazer ideia de como ela seja. Mesmo com esses problemas de descrever personagens, as cenas consegue se formar com bastante facilidade na minha mente, o que não é tão fácil.
É um livro que não pode se exigir muito, e não fazer comparações. Não acredite tanto na força da personagem e quem sabe não esperar ser tão surpreendido no final, que parece ter sindo um pouco forçado.
Título: A Ilha dos dissidentes | Autora: Bárbara Morais | Editora: Gutenberg | Páginas: 303
Nota: 3/5
Aqui vou deixar umas considerações do livro que tem spoilers. Eles vão estar em letra branca, então se você não se importa com spoilers é só selecionar e ler.
A segunda parte que eu disse, se refere a invasão a ilha dos dissidentes. E nessa é que apresentado o novo poder de Sybil. Foi simplesmente maravilhosa a forma que a cena é contada e digo que foi um dos grandes momentos do livro, apesar de ser pouco trabalhada.
Um coisa que me irritou muito na apresentação de Andrei, foi a forma que ele enviou um bilhete escrito: bem-vinda ao inferno. Isso criou uma grande expectativa, só que no fim, foi apenas mais uma das piadas de mau gosto de Andrei.
Fenrir é Lucius Malfoy.
Uma outra coisa que a autora fez e me chateou um pouco, foi a explicação sobre a religião na sociedade retratada. Eu não sou religioso, mas fiquei muito frustrado com a forma que ela tratou a religião no livro. Primeiro que foi numa parte que demonstrou um certo desrespeito as crenças de uma personagem. A autora praticamente tentou convencer o leitor a deixar a religião. Não gostei nada daquela parte. 

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