quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Fahrenheit 451 - Resenha


A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.
Fahrenheit 451 estava entre os 3 livros distópicos clássicos que eu queria ler, porque é meu gênero favorito e porque eu acho uma leitura obrigatória. O problema de gostar tanto desse gênero e esperar tanto pelas histórias clássicas, é que eu superestimo e comparo, e isso é um erro tremendo no caso de Fahrenheit 451.
O livro consegue ser bom de forma geral e nos debates que gera, mas peca na estruturação do background. É falado de tudo um pouco, mas é um pouco que não me satisfez como distopia, onde eu prezo muito pelo governo colocado na sociedade (na verdade a forma de governo é brevemente citado). Outro ponto negativo ao livro é o fato de tudo ser breve demais, o livro na minha opinião passa e é escrito de forma tão rápida, que nada se aprofunda. É ótimo para quem quer uma leitura para a tarde, mas não para pessoas como eu que queria algo bem mais aprofundado, sem se comprometer.
Além disso ao narrativa apesar de ser em terceira pessoa e tão geral, se aprofunda muito nos pensamentos desnecessários do protagonista, isso cria um confusão na hora da leitura, onde em certos momentos coisas da realidade se misturam com sentimentos de Guy e você se encontra perdido de um parágrafo para outro. É como se tivesse, arrancado uma página do livro e você nem percebesse. Eu não teria nada contra ao que ele está pensando, mas em pouquíssimos momentos do livro você realmente sabe o que ele pensa sobre o que está acontecendo, você sabe que ele está nervoso, sabe que está irritado, mas nunca sabe o que ele pensa a respeito de muitas outras coisas.
O livro não é todo ruim porque até não seria tão bem avaliado por quem gosta. Ele trás um número enorme de debates para tão poucas páginas. Você questiona a existência de certos personagens, se questiona a respeito do que faria e etc. Afinal o livro tem um plot muito interessante, onde bombeiros incendeiam e principalmente uma sociedade onde livros são proibidos.
Aconselho a qualquer pessoa ler, mas sem muitas expectativas a aprofundamentos claros e sim nos debates posteriores, por isso:

Título: Fahrenheit 451 | Autor: Ray Bradbury | Editora: Globo livros | Páginas: 216

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